15 de Janeiro

38 semanas.
Hoje foi o dia mais horrível da minha vida, com a suspeita de que se avizinham bem piores.
Das oito horas da manhã até às oito horas da noite na maternidade. Três CTG, quatro toques. Contracções regulares, dois dedos de dilatação, mas nenhuma justificação para lá estar. Cheguei a casa e tomei um banho, escusado será dizer que depois de quatro toques - para quem sabe muito bem a dor horrível que se sente - o rolhão mucoso saiu-me no banho (mais correctamente eu diria que me foi arrancado ao longo do dia). São vinte e três horas da noite e estou a perder sangue. Sangue vivo. Também me foi dito que hoje depois dos toques poderia acontecer. Pois... Para alguém como eu, que já perdeu tanto, chegar a esta fase da gravidez e estar agora a perder sangue e ficar quieta, parece-me no mínimo de uma violência clínica desnecessária.
Houve uma enfermeira que depois do dia que eu tive hoje, depois dos toques, teve a lata de me dizer Vá para casa fazer amor com o seu marido. Houve uma médica a quem tive que relembrar que medo e dor são conceitos bem diferentes. E houve a minha obstetra, que me acompanhou ao longo destes nove meses de forma atenta e profissional, e hoje simplesmente me atirou aos lobos e sacudiu as mãos como Poncio Pilatos.
Não sei dizer-vos como me sinto. Não sei se a Maria nasce nas próximas horas ou não, os meus medos aumentaram significativamente.
Estou profundamente triste. Ainda devolvi algumas chamadas ao fim do dia, mas confesso que só quero que toda a gente me deixe em paz.
A boa noticia do dia: o Streptococcus B deu negativo, não serão precisas as doses de antibiótico na minha pequenina. Isto se o dia de hoje não tiver consequências no estado saudável com que ela possa nascer.
O que me resta? Confiar em Deus, acima de todos os episódios.
(...)

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